Era uma vez um homem perdido.
Numa das suas incursões pelo mundo, encontrou uma pedra.
Que posso fazer com esta pedra?, pensou. Posso partir um vidro para roubar o que comer, posso usá-la como defesa ou sentar-me e contemplar nela o mundo... oh!, para quero eu esta pedra, pensou a seguir, quando eu morrer ela ficará no meu lugar... o que eu queria era encontrar-me.
Largou a pedra e seguiu.
Noutra das suas incursões pelo mundo, encontrou um relógio.
Que posso fazer com um relógio?, pensou. Contar as horas, minutos, segundos, responder a alguém que me pergunte 'Que horas são?', pô-lo no pulso e achar-me bonito... mas para que quero eu o relógio, pensou a seguir, senão para ver nele os anos que passam por mim... o que eu queria era encontrar-me.
Largou o relógio e seguiu.
Noutra das suas incursões pelo mundo, encontrou um rumo.
Um rumo! pensou. Finalmente um caminho, um lugar, um ser quem sou, saber o que quero, o que faço, para onde vou. Já não estou perdido!... mas, e se não conseguir? pensou depois. Se falhar, o que dirão os outros? Que pensarão de mim, do meu fracasso? Que pensarei eu, que homem verei refectido no espelho? Como viverei comigo, sabendo que não fui capaz...?
Largou o rumo e seguiu.
Perdido é mais fácil...