quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Era uma vez um homem perdido

Era uma vez um homem perdido.

Numa das suas incursões pelo mundo, encontrou uma pedra.
Que posso fazer com esta pedra?, pensou. Posso partir um vidro para roubar o que comer, posso usá-la como defesa ou sentar-me e contemplar nela o mundo... oh!, para quero eu esta pedra, pensou a seguir, quando eu morrer ela ficará no meu lugar... o que eu queria era encontrar-me.
Largou a pedra e seguiu.

Noutra das suas incursões pelo mundo, encontrou um relógio.
Que posso fazer com um relógio?, pensou. Contar as horas, minutos, segundos, responder a alguém que me pergunte 'Que horas são?', pô-lo no pulso e achar-me bonito... mas para que quero eu o relógio, pensou a seguir, senão para ver nele os anos que passam por mim... o que eu queria era encontrar-me.
Largou o relógio e seguiu.

Noutra das suas incursões pelo mundo, encontrou um rumo.
Um rumo! pensou. Finalmente um caminho, um lugar, um ser quem sou, saber o que quero, o que faço, para onde vou. Já não estou perdido!... mas, e se não conseguir? pensou depois. Se falhar, o que dirão os outros? Que pensarão de mim, do meu fracasso? Que pensarei eu, que homem verei refectido no espelho? Como viverei comigo, sabendo que não fui capaz...?
Largou o rumo e seguiu.

Perdido é mais fácil...