quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O último dos Maias

Nasci tardio, e único. Casei tardio. Tive um filho, único. Sentido prático. Mantém-se o património intacto e evitam-se querelas de heranças e partilhas. A tia, única também, nunca quis tocar num tostão. Não nos damos, como sabe. Teve uma filha que deu em missionária, nas Africas. Freira. Não sei quem é. Não deixa descendentes. Assim se funda a estabilidade financeira de uma família, na renúncia à filharada a benefício da propriedade. A sua família, minha senhora, é um asilo, um hospício, se fossem pobres eram um capítulo de Charles Dickens.

In Os Novos Maias
Clara Ferreira Alves

domingo, 24 de agosto de 2014

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Au Revoir


My sun is your sun


...despair

You've always been there
You were there through my wasted years
Through all of my lonely fears
Run through my fingers, tears
They're stinging my eyes, no tears
We're all on the edge, there's nothing to fear
Nothing to fear inside

Through the darkness and the light
Some sun has got to rise

My sun is your sun
Your sun is our sun

Counting down: T - 0 days


Jon Hopkins - Immunity

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

O rio somos nós

Não me explico como te queres nesse deserto - escrevera na carta a confirmar a visita. - O Alto Douro é uma solidão de vinhas, penedos, arribas, desventrada por um caudal que os leoneses aproveitaram para nos atirar enchentes e entulho. Só em Avintes se torna rio, depura e amansa, ganha brilho nas águas quando descobre as pontes, a Serra do Pilar, o cais de Gaia, o casario da Ribeira.
Aí me terás, que a amizade justifica o sacrifício, mas não peças que demore além do São Martinho. Amanhã vou para Celorico, onde ficarei uns dias, com o intuito de me brutificar o suficiente, de modo que me não pese o isolamento da tua tebaida, e aprecie a dobrar a camaradagem dos nossos serões.

in Os Novos Maias
José Rentes de Carvalho

Counting down: T - 1 day


Foster the People - Coming of Age

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Sweet disposition

Class began the same way as it always did. September had arrived, vacations were now a mirage of a good time that elapsed too fast to me remembered as a whole. Tanned skin and light hair would soon be gone (would'n it be wonderful they could stay forever) and the saltiness that followed her around for two months became city fog and rushed overtime.

There he was on the board, the new teacher, writing in chalk something incomprehensible that assembled to
Mathematics, 
1st class. 2nd September 013
Welcome!

The class was still on a sleepy mood, probably indulging about the recent-ended holidays and not crediting that real life had knocked on the door and entered without permition. An empty room would be filler than that one...

She was miles away, trapped in a single day - the 20th of August, a simple Tuesday - that begun as any summer day on holiday break: waking up in the morning, breakfast, swimming suit on and a whole day ahead of sunny beach and warm sea. And that was pure happiness, plain and simple bliss waiting for her every morning, every day till the end. But that morning, that simple sunny Tuesday morning, something else was there by the shore. Sitting on the sand, a blue eyed boy was expecting her.

Sweet disposition.
To that day no one else had seen her so bright, so shiny, so willing to be what she always wanted and never had the chance. Life had changed. She had changed.
I'm not in love, she repeated insistently, I'm not in love, I'm not in love...

Counting down: T - 2 days


Crystal Castles - Not in love

Live&Learn

Todos temos três vidas: a pública, a privada e a secreta.

Gabriel Garcia Márquez

Quoting

Já nos fazias um fresquinho! (s)

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Counting down: T - 3 days


Jungle - Platoon

Sinónimos - ordenação cronológica

fú·ri·a 
substantivo feminino
1. Manifestação de furor.
2. O máximo grau da agitação do ânimo irado.
3. Ímpeto de cólerade raiva.
4. Ataque de loucura furiosa.
5. Mulher desgrenhada.
6. Pessoa furiosa.
7. Pessoa horrenda.
8. Violência (das coisas insensíveis).
9. [Figurado]  Inspiração poéticaestro.
10. Velocidade e veemência (na acção).

in·di·fe·ren·ça 
substantivo feminino
1. Qualidade daquele ou daquilo que é indiferente.
2. Falta de cuidadode zelo.
3. Apatia.
4. Desprezo.
5. Negligência.
6. Estado de uma pessoa a quem tão pouco importa uma coisa como o contrário dela.
7. Ausência de sentimentos em relação a algo ou alguém. = FRIEZAINSENSIBILIDADE

va·zi·o 
(latim vacivus-a-um)
   adjectivo
1. Que não encerra nada ou  ar. ≠ CHEIO
2. Que contém algo em pequena quantidade. ≠ ABUNDANTECHEIO
3. Cujo conteúdo foi retirado. = DESPEJADO
4. Que não é habitado ou frequentado. = DESABITADODESPOVOADOERMO ≠ CHEIOPOVOADO
5. Que tem falta de algo. = CARENTEDESPROVIDODESTITUÍDO ≠ CHEIO
6. Que tem preocupações ou interesses de pouca utilidade ou importância. = FRÍVOLOFÚTILLEVIANOOCO ≠ GRAVESÉRIO
substantivo masculino
7. O espaço vazio. = VÁCUOVÃO ≠ CHEIO
8. Ausência de conteúdo. = OCOVÃO
9. Sentimento de ausência ou de perda.

in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

I Will Wade Out

I will wade out
        till my thighs are steeped in burning flowers
I will take the sun into my mouth
and leap into the rip air
        Alive
        with closed eyes
to dash against the darkness
        in the sleeping curves of my body
Shall enter fingers of smooth mastery
with chasteness of sea-girls
Will I complete my mystery
         of my flesh
I will rise
After a thousand years
        lipping
        flowers
And set my teeth in the silver of the moon

E.E. Cummings - I Will Wade Out

Coisas que se ouvem


- Estou com certa dificuldade em acrescentar palha aqui à apresentação.
- Eu sou o rei do celeiro! Diz lá...

Counting down: T - 6 days




Radiohead - Sail to the moon

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Roleta Russa

A canção ideial para quando ninguém está a ver...


Vidas de pó

Estou sentada. À minha volta um silencio calmo e quente de fim de tarde.
Basta-me fechar os olhos e estou tão longe. Vou para onde cheira a campo e a mar. Tenho a pele salgada de mergulhos que não recordo e vejo verde, relva debaixo dos meus pés descalços. Um muro baixo e branco é o que nos separa do horizonte bem rente ao mar.

Dou graças por este terraço no meio da cidade.
Imagino histórias que partem como se tivessem vida própria e não quisessem ser escritas. Não me dão tempo, não as agarro. Ás vezes ainda consigo perguntar-lhes porquê. Respondem-me Somos feitas de pó e no minuto a seguir já não sei onde estão nem como começavam, já não as tenho, fugiram para sempre...

E agora?

DIY on the move