quinta-feira, 31 de julho de 2014

Roleta Russa

A canção ideal para os momentos em que te arrependes de ser como és


I know that you think you sound silly when you call my name
but I get it inside my head all day.
When I realize I'm just holding onto the hope that maybe 
your feelings don't show...

It feels like I only go backwards baby.
Every part of me says go ahead.
I got my hopes up again, oh no... not again,
and it feels like we only go backwards darin'

Tame Impala - Feels like we only go backwards

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Vive só e aborrece-se

Na verdade, Tertuliano Máximo Afonso anda muito necessitado de estímulos que o distraiam, vive só e aborrece-se, ou, para falar com a exactidão clínica que a actualidade requer, rendeu-se à temporal fraqueza de ânimo ordinariamente conhecida por depressão. Para se ter uma ideia clara do seu caso, basta dizer que esteve casado e não se lembra do que o levou ao matrimónio, divorciou-se e agora não quer nem lembrar-se dos motivos por que se separou. Em troca não ficaram da mal sucedida união filhos que andassem agora a exigir-lhe grátis o mundo numa bandeja de prata, mas à doce História, a séria e educativa cadeira de História para cujo ensino o chamaram e que poderia ser seu embalador refúgio, vê-a ele desde há muito tempo como uma fadiga sem sentido e um começo sem fim.

in O Homem Duplicado - José Saramago

Quoting

Eu sou um grego! (lp)

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Quoting

Time is
Too slow for those who wait,
Too swift for those who fear,
Too long for those who grieve,
Too short for those who rejoice;
But for those who love,
Time is not.


Henry van Dyke - Music and Other Poems

terça-feira, 15 de julho de 2014

14:32 mood



No fundo do mar há brancos pavores,
Onde as plantas são animais
E os animais são flores.

Mundo silencioso que não atinge
A agitação das ondas.
Abrem-se rindo conchas redondas,
Baloiça o cavalo-marinho.
Um polvo avança
No desalinho
Dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.

Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.

Mas por mais bela que seja cada coisa
Tem um monstro em si suspenso.

Sophia de Mello Breyner
Obra Poética I
Caminho

Alive and kicking


sexta-feira, 4 de julho de 2014

Azul



Quero o vazio, o silêncio que me falta.
Abram as portas e deixem-me, só quero azul à minha volta.

   

Fazes-me falta

Fazes-me falta...
Se estivesses aqui tudo era melhor, mais completo.
Estás-me colado à pele apesar de sermos estranhos, de estarmos fechados e de termos pela frente caminhos que não se vão cruzar.
Hoje é um castelo de areia à espera de ruir.

Somos parecidos.
Calamos demais o que nos apetece dizer, por defesa ou por medo.
Falamos com os olhos, tentamos adivinhar o que vai na cabeça do outro sem abrir jogo, sem um passo em falso, sem perder as cordas que nos prendem porque são elas que nos mantêm à tona.
Quando é que as largamos?

Fazes-me falta aqui, agora.
Sinto falta do teu beijo e do teu toque, dos teus olhos em mim, do que não me dizes, do teu sorriso...
Faz-me falta o que sinto quando estou contigo.
Fazes-me falta tu e só tu, porque és tu.

O milagre das coisas que eram minhas

Casa branca em frente ao mar enorme, 
Com o teu jardim de areia e flores marinhas 
E o teu silêncio intacto em que dorme 
O milagre das coisas que eram minhas. 

A ti eu voltarei após o incerto 
Calor de tantos gestos recebidos 
Passados os tumultos e o deserto 
Beijados os fantasmas, percorridos 
Os murmúrios da terra indefinida. 

Em ti renascerei num mundo meu 
E a redenção virá nas tuas linhas 
Onde nenhuma coisa se perdeu 
Do milagre das coisas que eram minhas. 

'Casa Branca'
Sophia de Mello Breyner