sexta-feira, 4 de julho de 2014

O milagre das coisas que eram minhas

Casa branca em frente ao mar enorme, 
Com o teu jardim de areia e flores marinhas 
E o teu silêncio intacto em que dorme 
O milagre das coisas que eram minhas. 

A ti eu voltarei após o incerto 
Calor de tantos gestos recebidos 
Passados os tumultos e o deserto 
Beijados os fantasmas, percorridos 
Os murmúrios da terra indefinida. 

Em ti renascerei num mundo meu 
E a redenção virá nas tuas linhas 
Onde nenhuma coisa se perdeu 
Do milagre das coisas que eram minhas. 

'Casa Branca'
Sophia de Mello Breyner