quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Surrealidades à beira-mar plantadas

António Costa corre o risco de ser visto como o único caso da III República de um secretário-geral que em vez de se tornar primeiro-ministro depois de ganhar as eleições quer ser primeiro-ministro para se manter secretário-geral, mesmo depois de as ter perdido.

Viriato Soromenho Marques

domingo, 25 de outubro de 2015

Live & Learn

Valoriza-te mais: os outros encarregar-se-ão de baixar o preço.

Anton Tchekhov

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

O bom que é voltar atrás

Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía haveria de recordar aquela tarde remota em que o pai o levou a conhecer o gelo. Macondo era então uma aldeia de vinte casas de barro e cana, construídas na margem de um rio de águas transparentes que se precipitavam por um leito de pedras polidas, brancas e enormes como ovos pré-históricos. O mundo era tão recente que muitas coisas ainda não tinham nome e para as mencionar era preciso apontar o dedo.

Cem Anos de Solidão
Gabriel Garcia Marquez

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Já nos aconteceu

Temos pois razões sem fim para nos preocuparmos. Por devermos ter consciência que o nosso PCP não deixou de ser o nosso PCP; que para uma Mortágua sorridente e gentil há outra Mortágua a celebrar o marxismo revolucionário; e que se houve alguma radicalização nos partidos de governo, essa radicalização foi de um PS que no passado queria privatizar a TAP e agora quer desprivatizar, que antes aprovou leis onde se admitia o plafonamento das pensões e hoje faz em torno dessa hipótese uma demagogia que até deixaria corado Jerónimo de Sousa.

E sim, preocupem-se muito porque não há nada mais perigoso que um homem desesperado que não tem nada a perder depois de ter perdido tudo. Um homem como António Costa se está a revelar, até para enorme surpresa dos que tinham com ele relações pessoais de amizade.

Se não nos preocupar-nos podemos acordar demasiado tarde, depois de demasiado mal ter sido feito. Já nos aconteceu.

José Manuel Fernandes
In Observador

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Panis et Circenses

Eu quis cantar
Minha canção iluminada de sol
Soltei os panos sobre os mastros no ar
Soltei os tigres e os leões nos quintais
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer

Mandei fazer
De puro aço luminoso um punhal
Para matar o meu amor e matei
Às cinco horas na avenida central
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer

Mandei plantar
Folhas de sonho no jardim do solar
As folhas sabem procurar pelo sol
E as raízes procurar, procurar

Mas as pessoas na sala de jantar
Essas pessoas na sala de jantar
São as pessoas da sala de jantar
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer

Os Mutantes - Panis et Circenses

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Porque já foi feriado e devia continuar a ser

Porque o dia acordou com vontade de castigar aqueles que per se não têm a fonte inesgotável de positivismo que permite ver flores num deserto, porque está frio aqui e o ar condicionado continua calibrado para o verão e vai continuar por mais um mês ou até ao ridiculo de andarmos com o fato da neve vestido sem que ninguém mexa uma palha, porque o sol não veio sorrir para nós hoje, decerto terá ficado entretido num outro país onde não se lambem feridas de eleições, porque devia ir ao ginásio daqui a umas horas e nem isso me anima, porque não sei se me apetece que o relógio pare ou que acelere, porque é segunda-feira e nunca vou perceber como é que para tantos este é um dia igual aos outros, porque já foi feriado e devia continuar a ser...  

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

As would say the Starks, winter is coming


Sobre a democracia

Anos mais tarde convenci-me que este paradoxo toponomástico se devia ao cinismo comum dos regimes comunistas de colocar no nome o contrário da realidade nomeada. Mais ou menos como Sir Humphrey Appleby, da série Sim, Senhor Ministro aconselhava ao ministro Jim Hacker: quando nos queremos livrar de alguma política bem-sonante mas que desagrade aos desígnios do político, é colocá-la no título do documento que a institui e gastar o resto das linhas e páginas com outra coisa qualquer.

In Observador
Precisa-se: Explicador de democracia para o PS