Temos pois
razões sem fim para nos preocuparmos. Por devermos ter consciência que o nosso
PCP não deixou de ser o nosso PCP; que para uma Mortágua sorridente e gentil há
outra Mortágua a celebrar o marxismo revolucionário; e que se houve alguma
radicalização nos partidos de governo, essa radicalização foi de um PS que no
passado queria privatizar a TAP e agora quer desprivatizar, que antes aprovou
leis onde se admitia o plafonamento das pensões e hoje faz em torno dessa
hipótese uma demagogia que até deixaria corado Jerónimo de Sousa.
E sim,
preocupem-se muito porque não há nada mais perigoso que um homem desesperado
que não tem nada a perder depois de ter perdido tudo. Um homem como António
Costa se está a revelar, até para enorme surpresa dos que tinham com ele
relações pessoais de amizade.
Se não
nos preocupar-nos podemos acordar demasiado tarde, depois de demasiado mal ter
sido feito. Já nos aconteceu.
José Manuel Fernandes
In Observador