Paredes cheias de branco
Tectos que descem e voltam a subir quando o olhar se desvia
Faz-me o favor de não fazer perguntas
Quero o espaço que fica entre mim e a porta
E o espaço entre ti e tudo o resto
Faz-me o favor de correr para bem longe
Madeiras com cheiro de sol e terra
Verdes que entram pela janela fechada, sei lá como
Faz-me o favor de os agarrar
Quero guarda-los numa caixa e leva-los comigo
Sem dizer que fui eu, quando e como
Faz-me o favor de não guardar segredos
Barulhos surdos na escuridão da noite
As sombras do campo quando se olha mais fundo, pardas e frias
Faz-me o favor de partir os vidros
Quero o frio que fica entre mim e elas
E o calor entre ti e tudo o resto
Faz-me o favor de não fazer perguntas