quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Promete que não contas a ninguém

Sentou-se em frente de uma folha em branco decidida a escrever.
Eram 13h58 e às 14h em ponto começaria, nem um minuto a mais nem a menos. A mania da pontualidade e do ínicio de tarefas à hora certa vinha desde cedo, lembrava-se de ser criança e só começar a jantar nos múltiplos de 10, de começar e acabar de estudar a horas certas ou meias horas, nunca aos 12 minutos, aos 33 ou aos 57.

Sentou-se em frente a uma folha em branco e de lapiseira pronta para o que viesse. Detestava escrever com caneta, sempre as achou demasiado frias e formais, sem margem para erros.

Estava convicta de que precisava pôr no papel o tanto que lhe ia na mente, não para memórias futuras ou pela verve da escrita (não tinha nenhuma), mas para que não se escapassem. Queria guardar para si os momentos, fechar no papel os minutos e horas e dias perdidos que se vivem e não se sabe para onde vão quando passam.

Eram 14h e nem uma palavra...
Não conseguia articular uma frase, um ínicio.
Tantas momentos e nenhum se chegava à frente.

Concentrou-se, fechou os olhos e pegou na lapiseira.
Começou assim:

Conto-te hoje o que tenho guardado e que quero que viva fora destes muros.
Promete que não contas a ninguém...