segunda-feira, 8 de junho de 2015

A propósito de José Cardoso Pires

Temos a literatura paga a milhões num país colapsado, o mito imbecilizante do “está na televisão é porque é bom”, pronto a fabricar génios literários todos os meses. Temos um país de universitários, mestres, doutorados e políticos para quem o livro se tornou um objecto simbólico de status quo, mas cujo nível de literacia não passa o grau zero da literatura que são José Rodrigues dos Santos, Helena Sacadura Cabral ou os bestsellers internacionais.

As editoras transformaram-se em empresas geridas para dar lucro financeiro e não cultural, e são geridas por pessoas que não fazem a menor ideia de quem foi Homero, Tolstói ou Dostoiévski, e que não sabem, portanto, que a literatura não é aquilo que se imprime em papel, mas, sim, aquilo que resulta do esforço heróico do Homem para dar sentido ao caos — e que é nela, e através dela, que se ilumina o que fomos aprendendo sobre a natureza humana.

In Oservador