Temos a literatura paga a
milhões num país colapsado, o mito imbecilizante do “está na televisão é porque
é bom”, pronto a fabricar génios literários todos os meses. Temos um país de
universitários, mestres, doutorados e políticos para quem o livro se tornou um
objecto simbólico de status quo, mas
cujo nível de literacia não passa o grau zero da literatura que são José
Rodrigues dos Santos, Helena Sacadura Cabral ou os bestsellers internacionais.
As editoras transformaram-se
em empresas geridas para dar lucro financeiro e não cultural, e são geridas por
pessoas que não fazem a menor ideia de quem foi Homero, Tolstói ou Dostoiévski,
e que não sabem, portanto, que a literatura não é aquilo que se imprime em
papel, mas, sim, aquilo que resulta do esforço heróico do Homem para dar
sentido ao caos — e que é nela, e através dela, que se ilumina o que fomos
aprendendo sobre a natureza humana.
In Oservador