terça-feira, 26 de abril de 2016

Bem-aventurado

Bem-aventurado aquele que na solidão da noite faz o balanço e conclui que, a traços largos e nos episódios maiores, a vida que leva é a que desejou. Bem-aventurado também o outro, que à mesma hora revê o seu passado, o seu presente, lembra os sonhos que teve, os que não realizou, e ao somar ganhos e perdas sorri contente, se diz que valeu a pena. Bem-aventurado ainda o que deixa correr os dias ao sabor da ocasião, indiferente aos atropelos e às benesses, perdendo a memória do que aconteceu, do que sentiu, interessado apenas no que vem a caminho.

Infeliz o que, desejando ser o que nunca será, querendo possuir o que não lhe cabe, se mata aos poucos julgando que vive.

José Rentes de Carvalho

(o que eu dava para escrever assim)